PT é refém de Lula

Até o anúncio do resultado da sucessão presidencial de 2010, não há a menor chance de um levante ou racha petista influenciar os rumos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dita ao partido. Motivo: não existe um líder no PT capaz de se contrapor à força de Lula.

Desde de 2004, quando José Dirceu ainda era o poderoso chefe da Casa Civil e quase beijou a lona por causa do episódio Waldomiro Diniz, começou a novela de destruição de biografias do PT. Caíram todos aqueles que poderiam, com algum brilho ou poder próprios, contestar ou persuadir Lula.

Ao longo desses seis anos e oito meses de governo, Lula cresceu, e o PT diminuiu. Governadores, senadores, deputados e a cúpula da máquina petista têm sido solenemente ignorados pelo presidente.

Ao escolher a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) como candidata à sua sucessão, Lula nem disfarçou. Não chamou para jantar no Palácio da Alvorada a cúpula partidária a fim de pedir opinião. Apontou o dedo para Dilma e ponto.

Isso causou mal-estar no partido. Muita gente reclama nas conversas reservadas, mas falta coragem para discordar de um presidente com 67% de índice ótimo/bom, segundo a mais recente pesquisa Datafolha publicada no último domingo.

O salvamento de José Sarney, portanto, é apenas mais um capítulo da novela de destruição de biografias petistas. Escaldado pelo mensalão, Lula abraçou Sarney a fim de manter a governabilidade no Senado na hora da CPI da Petrobras e praticamente consolidar a aliança PT-PMDB pró-Dilma.

O senador Aloizio Mercadante (PT), que já havia sido posto para fora do jogo principal com o dossiê dos aloprados (campanha de 2006), obteve a proeza de se enfraquecer ainda mais. Ficou mal com Lula, PMDB, colegas do PT e o eleitorado ao qual pretende pedir a reeleição em outubro de 2010.

Depois de anunciar uma saída irrevogável, Mercadante permaneceu na liderança do PT no Senado. Na prática, como mostrou a crise do Senado, ele não lidera a bancada.

Os grupos que hoje controlam a máquina petista estão aboletados em seus cargos no governo. Poucos deixarão o partido. A atual crise se limita a uma parte da bancada do Senado.

A maioria petista vai aguardar o resultado da aposta em Dilma. Se der errado, Lula ouvirá que o PT fez tudo o que ele quis. Haverá choro, promessas de renovação, mas o partido permanecerá refém do lulismo porque Lula continuará maior do que o PT. Lula será a única perspectiva de volta ao poder.

No cenário de vitória de Dilma, o petismo deverá coadjuvar o PMDB no futuro governo.

O PT deverá completar 30 anos em 2010 mais dependente da figura de Lula do que na época em que um líder sindical barbudo fundou a legenda.

(Original aqui.)

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