Diário madeirense Cidade despede-se do papel

Muito interessante. Sinal dos “novos tempos”.

O responsável pelo grupo editorial madeirense O Liberal, Edgar Aguiar, disse à Lusa que o matutino gratuito insular O Cidade, que hoje esteve pela última vez nas bancas, “não para, evolui”. O diário Cidade, depois de 1.059 edições e uma tiragem de 23 mil exemplares por mês, auditado pela Associação Portuguesa Para O Controlo de Tiragem e Circulação (APCT), apresentou hoje a sua última edição em papel e anunciou a sua passagem a CidadeNet. Edgar Aguiar salientou que na origem desta alteração da publicação, que esteve durante quatro anos no mercado regional, “liderando sempre as tiragens” foi a “leitura feita à situação dos jornais na região e a confirmação de que existe uma média de 16 mil entradas de leitores online/por dia do Cidade”.

“Isso indicou-nos que caminho a evoluir como solução para aplicação de novas tecnologias de informação e dos leitores, o CidadeNet”, disse. O director do Cidade recusa a relacionar esta decisão com o facto do Jornal da Madeira se ter tornado também praticamente gratuito e receber subsídios do Governo Regional, mas admite ser “óbvio que regras diferentes para o mesmo sector da imprensa causam graves dificuldades nos meios disponíveis”. “Mas não queremos colocar culpas em ninguém”, declarou, acrescentando que “a leitura do atual quadro sócio económico fez diminuir drasticamente o anúncio publicitário e evoluiu o da internet”, referiu.

Edgar Aguiar desvaloriza o ‘desaparecimento’ do Cidade, realçando que “qualquer projecto de jornalismo após a crise é de difícil manutenção económica e, nos últimos tempos, dezenas de títulos desapareceram do mercado”. “Não estamos desaparecendo, mas evoluindo para uma actualização que foi necessário passar e qualquer jornal-imprensa é um projecto de risco”, apontou. O responsável destacou que a principal preocupação foi “a manutenção dos postos de trabalho” e garantiu que será mantida a equipa de oito pessoas que componham a equipa deste matutino, o que passa pela “adaptação dos recursos humanos, que tiveram toda a abertura”.

Edgar Aguiar sublinha que o Cidade foi “um projecto gratificante” que permitiu uma “aprendizagem da forma de estar no mercado, que atingiu grandes massas populares de forma inovadora, com uma equipa dinâmica”. “Fica a nostalgia, uma lembrança agradável, mas também a sensação de estar evoluindo”, frisou. Edgar Aguiar mencionou que este tipo de medida não vai abranger o semanário deste grupo, o Tribuna, “que conquistou o seu espaço firme e tem leitores fieis, pelo que não há razão para alterar. O Tribuna vai continuar, mas precisa renovar-se e a alteração (imagem) será feita até final do ano”. (Lusa)

(Original aqui.)

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