Do limão e da limonada

Havia aqueles que diziam que a presidente Dilma Rousseff seria um “Lula de saias”. Pelo que se percebe, o distanciamento da atual presidente em relação ao ex-presidente é até razoável, o que mostra que ela tem, sim, “estofo político” para governar, tanto que toma medidas pontuais em momentos também pontuais.

Enquanto o mundo político corre atrás de capas de chuva para não ser atingido pelos respingos da CPI do Cachoeira, Dilma Rousseff acelera nas curvas e continua controlando as iniciativas e a agenda.

Poderia, a essa altura dos acontecimentos, dar uma relaxada e manter o perfil baixo, confortavelmente instalada na aprovação recorde verificada tanto pelo Ibope quanto pelo Datafolha.

Porém, os piores erros são feitos nos bons momentos, já que podem inverter uma curva de sucesso e jogar as tendências para o lado ruim da história.

Não temendo errar, Dilma atacou os bancos – vilões mais do que populares – e mexeu nas regras da poupança. Este, sim, foi um movimento mais arriscado.

No entanto, a mudança tem risco político muito baixo para o governo e para a presidente. Em especial, porque a comunicação feita com a sociedade foi bastante boa. Apesar de o tema ser delicado, sobretudo em ano eleitoral, não houve qualquer crítica consistente à medida.

A garantia de que as contas da poupança anteriores à medida provisória não serão afetadas contribuiu para a boa receptividade da decisão.

A divulgação pelo IBGE de que a produção industrial caiu 0,5% em março ante fevereiro, acumulando queda de 3% no ano, também ajudou no convencimento político.

A base política acredita que, agora, há mais espaço para a redução de juros e para outras consequências positivas, como o aumento do consumo e a retomada da atividade industrial.

Redução de juros é um tema popular. Assim, Dilma poderá ver sua popularidade aumentar ainda mais. Mas a agenda prevê outras iniciativas que também devem produzir impacto positivo.

A presidente quer reajustar os benefícios do Bolsa Família e pode anunciar tal decisão no Dia das Mães. O pacote de medidas deve prever ajuda financeira a mulheres de baixa renda com filhos de até seis anos. Estrategicamente, anúncios de iniciativas com apelo popular em um bom momento de popularidade têm dois efeitos muito relevantes.

O primeiro efeito é ampliar a popularidade geral, aquela que não é muito reflexiva quanto à natureza das medidas e se refere à sensação superficial gerada pelas ações do governo.

O segundo, mais importante, é aprofundar o prestígio em meio àqueles que concordam com a natureza das medidas. Esta tem o condão de gerar uma adesão mais leal ao projeto político de Dilma, além de servir como saldo médio positivo para os momentos mais difíceis.

(Original aqui.)

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