Visita ao túmulo de Maquiavel em Florença, Itália

Visita ao túmulo de Maquiavel em Florença, Itália

Falar de Maquiavel é sempre um desafio, já que o pensador florentino tem inúmeras nuances que fazem dele um dos autores, ao meu ver, mais conhecidos, ainda que seja muito mais citado do que efetivamente lido. Mas um desafio prazeroso, já que tais nuances abrem espaço para a utilização (aqui bem-intencionada) de seu pensamento nas mais diversas áreas da vida humana.

Já tive a oportunidade de falar sobre Maquiavel em outras postagens aqui no site – dentre elas destaco duas, uma análise sucinta de seu principal livro (O príncipe), e outra na qual apresentei meu primeiro vídeo sobre Maquiavel (o vídeo pode ser visto diretamente neste link). Também já escrevi sobre a Renascença Florentina, de maneira que ficasse mais claro para o leitor o contexto no qual Maquiavel viveu, contexto este que possibilitou a própria existência do livro O príncipe. Para ver tudo que já publiquei sobre Maquiavel, basta clicar neste link.

Contudo, uma coisa é ler (bastante) sobre o assunto. Outra é estar presente nos locais em que aquilo sobre o que se leu realmente ocorreu. Talvez apenas quando se esteja presente é que seja realmente possível captar o que aquilo tudo significa. Ao menos, foi assim que me senti quando tive a oportunidade de visitar os campos de concentração de Dachau e de Sachsenhausen, na Alemanha, e também o campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, além do gueto de Varsóvia. Ler sobre o Holocausto é uma coisa, e por mais bem informado que você seja, visitar os locais nos quais aquilo ocorreu muda sua perspectiva de vida.

Este é o sentido da minha visita à cidade de Florença, no centro-norte da Itália, neste início de 2015: visitar “onde tudo começou”. No texto acima referido, sobre a Renascença Florentina, já dei uma visão a respeito da importância histórica desta cidade, mas algumas coisas só são percebidas quando se visita os locais – e, assim como havia ocorrido em minha viagem à Alemanha, novamente isso ocorreu.

Afinal de contas, uma coisa é você ler sobre a riqueza e o poder dos Medici; outra é você visitar a capela construída especificamente para eles, que é a segunda construção em altura na cidade, perdendo apenas para o grande “Duomo” da Basílica de Santa Maria del Fiori. Uma coisa é você saber que os Medici patrocinaram o Renascimento, e outra é você entrar na cripta na qual estão enterrados Lourenço, o Magnífico, bem como seu irmão Giovanni, e ver que tudo – a própria cripta, bem como as estátuas em mármore lá presentes – foi construído por ninguém menos que Michelângelo.

Capela Medici em Florença
Capela Medici em Florença. Olhando de fora você não dá nada pelo prédio, criado com exclusividade para a família.. Aí você entra e se depara com um “salão” em que tudo é de pedras semipreciosas (lápis-lázuli, madrepérola, alabastro, dentre outras), com o chão sendo de granito. Então você olha pra cima, e 60 metros acima de você, na cúpula que é suplantada apenas pela do “Duomo de Florença”, e se depara com pinturas maravilhosas. E pra terminar, uma “sacristia nova”, particular, planejada por ninguém menos que Michelângelo – que, a propósito, também esculpiu as estátuas de mármore que lá se encontram. Será que tinham dinheiro?

De certa forma, o mesmo se passou com a visita ao túmulo de Maquiavel. O grande pensador florentino está ironicamente sepultado na Basílica de Santa Cruz (“Santa Croce”), que vem a ser uma das principais de Florença porque lá também estão, dentre outros, Michelângelo, Galileu Galilei, Dante Alighieri e outros italianos famosos. Disse “ironicamente sepultado” porque Maquiavel, como se sabe, escreveu em O príncipe que o poder político não vem de Deus, mas sim dos próprios homens, o que fez com que ele fosse “rejeitado” pela Igreja. E agora, lá está ele…

Para registrar esse momento, fiz um vídeo sobre a minha visita. Mostrei o interior da Basílica de Santa Cruz, com destaque ao túmulo de Maquiavel, é claro, e depois acrescentei minha visita ao Palácio Vecchio, especificamente à sala da Chancelaria Florentina, já que Maquiavel lá trabalhou como Segundo Chanceler da República Florentina. O vídeo pode ser visto abaixo.

E você? O que pensa sobre Maquiavel? Deixe nos comentários sua opinião, que sempre será bem-vinda.

5 comentários sobre “Visita ao túmulo de Maquiavel em Florença, Itália

  1. Obrigada, professor! É uma riqueza. Quando tiver um tempinho, nos envie algo falando sobre: Microfísica e Poder. Gosto muito de suas reflexões. Vídeos ou textos, como quiser.

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