Você vai perder seu emprego?


Acabei de ler um texto interessante falando sobre a relação entre a automação e a empregabilidade. Será que você vai perder seu emprego?

Calma, não precisa se assustar. Segundo o texto, metade dos empregos atuais podem ser automatizados, isto é, substituído por máquinas. Mas o relatório apresentado diz que isso vai ocorrer em 2055.

“Ah, falta muito tempo.” Talvez – são 38 anos a partir de agora (2017). Muita gente ainda nem nasceu. E quem está no mercado de trabalho agora com 20 anos estará quase se aposentando à época. (Quase, porque se continuarem mudando as regras da Previdência, provavelmente estarão bem na ativa!)

A questão que levanto é a seguinte: você está preparado para tal mudança? E mais ainda, você está preparando seus filhos e netos para a mudança? Será que você vai perder seu emprego? Será que você vai ter emprego?

O assunto é sério especialmente para os brasileiros porque, segundo o relatório, o país está quase “no topo” daqueles países que mais “sofrerão” com a automação. Cerca de 49% a 51% dos empregos atuais podem ser substituídos com as tecnologias já demonstradas atualmente. Ou seja, há 50% de chance de que você vai perder seu emprego. Vejam a imagem abaixo:

você vai perder seu emprego?
Fonte

É fundamental, portanto, que tenhamos a consciência de que a automação chegou e que não há nada que possa ser feito contra seu avanço. Não adianta fazer greves ou protestos contra o uso de máquinas para trabalhos repetitivos. Não adianta dizer que “pais de família perderão seus empregos”. Isso é um fato concreto (pra não dizer concretizado). Sejamos realistas.

Em vez disso, existem duas maneiras para que se lide com a questão. A primeira delas é sugerida no texto original: a criação de políticas que garantam uma renda básica mínima a todos. Significa dizer que todos os cidadãos, independentemente de trabalharem ou não, receberão essa renda mínima para poderem viver. Claro, não ficarão limitados a tal renda mínima: nada os impedirá de ganharem ainda mais trabalhando. Mas se não tiverem emprego, terão sua dignidade garantida por causa desse valor mínimo.

Claro, muitos dirão: “mas por que então vou trabalhar se já vou ter o mínimo garantido?” Não vou responder a esta questão aqui. Basta dizer que esta é a mentalidade do brasileiro em geral. Fora do país a coisa muda de figura, já que a cultura é de não dependência do Estado a não ser que você realmente precise. Tanto que esse sistema de renda mínima está sendo implantado em 2017 na Finlândia e na Holanda.

“Ah, Prof. Matheus, mas são países europeus e ricos”. É verdade. Mas o programa também está sendo implementado na Índia, que não é tão rico assim (e que tem uma população muito maior que a do Brasil, inclusive de pessoas pobres – 30% da população está abaixo da linha de pobreza). E em um projeto piloto desenvolvido em 2011 as pessoas que receberam essa renda mínima decidiram trabalhar para ganhar mais, em vez de se acomodar com o mínimo recebido. Isso porque tendo a segurança de receber um mínimo, as famílias puderam investir em novos projetos, como microempresas e outras iniciativas próprias.

A fonte disso tudo está aqui. Em inglês, mas nada que o Google Translator não resolva.

A segunda maneira é por meio da educação. É um processo “penoso” e de longo prazo, mas não há saída: é necessário “colocar a bunda na cadeira e estudar” (perdoem-me os mais puritanos pela expressão). Mas não tem jeito: considerando-se o fato de que inúmeras profissões serão extintas, e considerando-se ainda que é necessária qualificação para trabalhar em um futuro robotizado, não há como fugir da educação. Inclusive é o que estão fazendo pessoas que já ficaram desempregadas pela automação: estão voltando aos bancos escolares para atualização profissional.

Por fim, é importante lembrar outro tipo de educação, que é a educação cívica. Considerando-se que a automação e a diminuição dos postos de trabalho é um problema que afeta a todos indistintamente, todos devem pensar também na coletividade. Não adianta querer salvar a própria pele: são necessárias ações e atitudes coletivas para encarar as mudanças que já estão entre nós. De nada adianta alguém ser superqualificado se não houver como colocar tal qualificação em prática. Portanto, a educação cívica – ou política – é fundamental para que todos saibamos como buscar coletivamente novas formas de pensar e de solucionar os desafios que se nos apresentam.

Portanto, é bem provável que você vai perder seu emprego, mas se estiver preparado encontrará outro facilmente.

E você, o que acha disso? Está preparado para enfrentar a Skynet? Deixe abaixo seus comentários ou entre em contato para debatermos o tema.

Um abraço a todos e até a próxima!

Prof. Matheus Passos

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