As elites e o uso da força na sociedade

As elites e o uso da força na sociedade


As elites e o uso da força na sociedade

Autor: V. Pareto


  1. A idéia de elite e de circulação de classes

 

O que é a elite? Segundo Pareto, a elite é composta pelas pessoas que mais se destacam em todos os ramos da atividade humana. Ele sugere que seja feita uma “avaliação”, atribuindo-se notas para o resultado obtido por diversas pessoas em um mesmo assunto. Assim, para alguém que ficou bilionário, seria atribuído o valor 10. Para alguém que consegue sobreviver, nota 5. E para aqueles que dependem do Estado para viver, nota zero. Para um poeta que consegue ser reconhecido internacionalmente, nota 10. Para aquele que tem uma projeção nacional, nota 5. E para aquele que apenas mostrou seus poemas dentro de casa, nota zero.

Após esta avaliação, tomando-se todos aqueles que obtiveram nota 10 em suas respectivas atividades, este grupo seria chamado de elite. A idéia que surge é de superioridade, não importando se o ramo de atividade é bom ou ruim. Desta forma, Napoleão faria parte da elite, pois foi um homem de qualidades excepcionais. Se tais qualidades foram usadas para o bem ou para o mal é algo subjetivo.

É necessário, ainda, dividir esta elite em dois subconjuntos: um é a elite governante, que participa direta ou indiretamente do governo, e a outra é a elite não-governante, formada pelos demais.

Uma forma apontada por Pareto para entrar para a elite é a hereditariedade. Como em nossos dias a hereditariedade quase não existe (com exceção dos reis), podemos dizer que esta hereditariedade é indireta: um indivíduo que herda um patrimônio considerável pode vir a fazer parte da elite em geral, e também da elite governante especificamente, através da manipulação que pode ser feita pelo seu patrimônio.

Contudo, quando um indivíduo muda de uma classe a outra, ele traz consigo certas inclinações e sentimentos da classe à qual ele anteriormente pertencia. Esta mistura é chamada de circulação das classes.

Dentro da elite formam-se grupos de interesses, nem sempre bem definidos, que são chamados de aristocracias. Deve-se notar que nem sempre os membros da aristocracia (dirigente ou não) possuem os pré-requisitos mínimos para pertencerem a tal classe.

A elite está em constante renovação. Há uma camada intermediária entre a elite e a não-elite: esta camada faz parte da classe dirigida, mas seus membros poderiam muito bem fazer parte da elite. Quando membros da elite entram em decadência e/ou membros da não-elite aparecem com qualidades superiores, qualificando-se a participarem da elite, a renovação acontece.

 

  1. O uso da força na sociedade

 

O uso da força na sociedade é ambíguo. Se a classe dirigente diz que aprova o uso da força, quer dizer que legitima seu uso para manter a ordem. Se diz que é contrário, significa que os submetidos à sua ordem não devem usar a força. Por outro lado, se alguém da classe dirigida diz que aprova a força, está dizendo que aprova o uso por parte de sua classe contra a classe dominante. Se diz que é contra, é contra o uso por parte da classe dominante.

Para avaliar o correto uso da força, é necessário avaliar as vantagens e desvantagens do seu uso. Caso a força seja utilizada, pode ser um caminho que não leve à utilidade social.

Geralmente, o uso da violência é “perdoado” quando ela é utilizada para coibir uma anomalia individual que queira atingir um objetivo individual, ou seja, o benefício coletivo deve (ou deveria) estar acima do benefício individual.

Contudo, os governos são freqüentemente repudiados caso façam um uso intensivo da força, chegando mesmo a causar a morte de algum de seus opositores. Mas ao mesmo tempo esta violência é necessária para coibir atos que possam trazer mal-estar à população.

A classe dominante pode perder seu poder e seu status na sociedade caso haja indivíduos, na classe dominada, que estejam dispostos a pegar em armas e usar a força para atingir seus objetivos, derrubando quem está no poder no momento. E o governo acaba sendo derrubado, por preferir usar a diplomacia e por não fazer uso intensivo da força, pelo exposto no parágrafo anterior.

E como o governo tenta manter a sociedade sob controle sem usar a violência? Alegando que o governo atual é baseado na “razão”, ou seja, foi eleito através de sufrágio universal, e não é baseado na força, como os governos anteriores.

Mesmo assim, todos os governos usam a força e alegam estarem baseando-se na razão. O governo encontra meios de tornar a vontade de alguns em vontade de todos.


Dúvidas? Entre em contato para debatermos o tema.

Um abraço a todos e até a próxima!

Prof. Matheus Passos

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