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Contra os feiticeiros
Mais uma postagem que ressalta a importância da tecnologia na esfera política. E quanto mais uma área avança sobre a outra, mais se vislumbra a possibilidade de verdadeiras revoluções, como as que já estão acontecendo, como o próprio texto diz. Revolução mundial? Quem sabe um dia…
Esperava-se que a proliferação de computadores, notebooks e laptops fosse criar uma vasta nação sem fronteiras de nerds sedentários, uma geração inteira que só sairia da frente das suas telas e teclados arrastada.
As redes sociais substituiriam a vida social, todo contato humano seria eletrônico e virtual e nada levaria a grande nação enclausurada a desligar seus aparelhos e ir para a rua. Mas, como se vê, aconteceu o contrário.
Tanto nas manifestações que estão derrubando déspotas em cadeia no Norte da África quanto nos protestos na Europa foram as redes sociais que, em boa parte, encheram as ruas. O pessoal do movimento Ocupar Wall Street, nos Estados Unidos, também foi mobilizado pela internet.
Se você pensar que a internet foi criada pelo e para o Pentágono e representa a máxima conquista tecnológica do empreendedorismo capitalista, aumenta a ironia de, nos casos da Europa e dos Estados Unidos, ela estar levando manifestantes às ruas contra os poderes estabelecidos e os desmandos do capital. O que há de mais moderno no mundo trazendo de volta a ação política mais antiga e direta, a da multidão sublevada. O feitiço virado numa direção que os feiticeiros, decididamente, não previram.
Hoje em dia, a frase que pais preocupados dizem para filhos permanentemente ligados na internet não é mais “Meu filho, vai brincar um pouco lá fora”, mas “Meu filho, por favor, revolução não”.
No mesmo assunto: se Darwin tinha razão nas suas teorias sobre a sobrevivência dos mais aptos e adaptáveis, daqui a algumas gerações todos os seres humanos nascerão com dedos finos para acertar as teclas certas em iPods e iPads cada vez menores. Os dedos gordos e rombudos desaparecerão como os dinossauros.
Mas ouvi dizer que a evolução se dará do outro lado: os teclados tenderão a desaparecer, substituídos pelo comando de voz. Não duvido. Não duvido de mais nada desde que conheci o GPS falante. Os feiticeiros podem tudo.
(Original aqui.)
Memória viva
Governos espertos olham, em primeiro lugar, para o emprego e a renda. E procuram reger as demais variáveis em função das duas. Mas, e a inflação? A verdade é que a América Latina já esqueceu dela. A memória mais recente é a da estagnação
Cristina Kirchner venceu com folga o desafio reeleitoral, por uma razão simples, bem conhecida e já muito tratada, inclusive aqui. Na comparação com os antecessores, os governos Kirchner têm sido paradigma de eficência, desenvolvimento e preocupação social.
Lá, como cá, o desejo de não retornar ao passado ajudou Cristina. A ponto de ela obter votação recorde.
A Argentina tem seus problemas, com destaque para a fragilidade institucional. Ninguém sabe direito a quantas anda a inflação, aliás falar disso costuma dar dor de cabeça para os jornalistas dali. Pois os preços ali correm rápido.
E as convicções democráticas do casal Kirchner nunca foram uma brastemp.
Mas a economia cresce, gera empregos, há sinais de reindustrialização e a percepção social é que o kirchnerismo defende o país e os mais pobres. Ainda que as nuvens adiante estejam carregadas.
O momento fundador dessa percepção foi a denúncia da dívida externa, lá no começo do governo de Néstor.
Nascida do caos social e político provocado pelo colapso econômico, a necessidade da moratória se impôs, por cima de todas as advertências, ameaças e exibições de dentes.
A Argentina simplesmente não teria como sair do buraco sem ignorar uma parte dos compromissos financeiros. Ou até teria, a um custo social proibitivo.
Mais ou menos como a Grécia agora. A desvantagem dos gregos é fazerem parte de uma união monetária.
E o mais interessante foi a Argentina ter dado o passo no auge da deificação das “ideias certas”. Por exemplo a que prega a santidade e a imutabilidade dos contratos.
Uma ideia muito querida dos ideolólogos do empresariado, ainda que o empresário mesmo, o de raiz, nunca hesite quando denunciar um contrato é bom para o negócio dele.
Eu pelo menos nunca conheci nenhum que aceitasse levar a empresa à falência para honrar um mau contrato.
Os argentinos impuseram aos credores um forte desconto na dívida e não aconteceu nada. O dinheiro continuou chegando, engordando e indo embora, como sempre fizera antes. E como continuará fazendo desde que lhe garantam as necessárias condições de reprodução.
Argumentarão que a Argentina precisou pagar caro para compensar o maior risco.
E quem somos nós para dizer isso?
Aqui se produz todo ano um belo superávit primário. Um pouco mais, um pouco menos, mas sempre belo. Aqui vigora uma Lei de Responsabilidade Fiscal bastante rígida. E aqui a transparência das contas públicas é exemplo para outros países.
Tudo muito bonito.
E mesmo assim pagamos o maior prêmio do mundo a quem traz dinheiro para cá. Nossa taxa real de juros não tem concorrente. Pelo ângulo da engenharia reversa da precificação do risco, talvez sejamos, no fim das contas, um lugar bastante arriscado para investir.
Por incrível que pareça.
Se pagamos juros tão elevados é porque a coisa não vai tão bem assim. Do contrário não precisaríamos remunerar tão maravilhosamente quem traz o dinheiro.
Como curiosidade, os Estados Unidos, que estão na draga, pagam juro tendente a zero e mesmo assim qualquer marolinha planetária provoca um tsunami a favor dos títulos do Tesouro americano. E não contra.
Ainda que esse detalhe possa enfraquecer o argumento central da coluna, pois um trunfo dos Estados Unidos é a garantia pétrea de que honrarão seus compromissos.
A realidade é mesmo contraditória.
Vindo para a economia doméstica, a reeleição de Cristina Kirchner explica bem por que a colega do lado de cá da fronteira sustenta a política de redução de juros agora praticada pelo nosso Banco Central. Uma política agressiva, nas circunstâncias.
Governos espertos olham, em primeiro lugar, para o emprego e a renda. E procuram reger as demais variáveis em função das duas.
Mas, e a inflação? A verdade é que a América Latina já esqueceu dela. A memória mais recente é a da estagnação.
Com as devidas consequências políticas.
(Original aqui.)
Riqueza dos brasileiros hoje equivale à dos americanos em 1925
Número do dia: US$ 5 trilhões
É o valor da riqueza de todos os brasileiros, segundo pesquisa do Credit Suisse
O Credit Suisse incluiu no meio de um estudo sobre riqueza no mundo algumas informações inusitadas. Por exemplo, o banco notou que a população brasileira adulta possui hoje um patrimônio total de cerca de US$ 5 trilhões, o que equivale ao dos americanos em 1925.
Naquela época a população dos Estados Unidos era de 116 milhões de habitantes. No Brasil, havia 191 milhões de pessoas em 2010, segundo o censo mais recente, o que quer dizer que a riqueza por pessoa ainda é menor do que nos EUA de 1925.
Apesar de o Brasil estar atrasado em relação aos Estados Unidos nesse quesito, o país latino-americano atualmente avança em um ritmo muito mais rápido do que o norte-americano caminhava naquela época.
Se a economia andar como o previsto, estima o Credit Suisse, daqui a cinco anos a riqueza dos brasileiros somará US$ 9,2 trilhões, mesmo nível registrado nos EUA em 1948.
Em outras palavras, o aumento da riqueza dos brasileiros nos próximos cinco anos é comparável ao ganho dos americanos ao longo de 23 anos. Nesse intervalo, a
A população de todo o continente africano, por exemplo, tem hoje uma riqueza equivalente à dos EUA na primeira década do século 20. Daqui a cinco anos, a África deve atingir o nível que os EUA tinham no final da década de 1920.
O Credit Suisse projeta um crescimento da riqueza no Brasil em ritmo mais rápido do que a média mundial. Enquanto o patrimônio das pessoas no País deve quase dobrar em cinco anos, no mundo o aumento deve ser de 50%, passando de US$ 231 trilhões em 2011 para US$ 345 trilhões em 2016.
Em termos proporcionais, 2% da riqueza da população adulta mundial está hoje nas mãs de brasileiros; em 2016, essa fatia deve ser de 2,7%, na projeção do Credit Suisse.
Os EUA devem manter sua supremacia. Hoje, a população do país possui US$ 58 trilhões; em cinco anos, esse valor tende a subir para US$ 82 trilhões.
(Original aqui.)
66 anos do fim da Segunda Guerra Mundial
9 de maio de 1945. Esta é a data, para os russos, em que a Segunda Guerra Mundial acabou, pois foi quando a Alemanha aceito a rendição incondicional aos soviéticos (para os ocidentais, esta data é comemorada dois dias antes, no dia 7 de maio).
Para aqueles que me conhecem, não é surpresa alguma eu estar aqui falando da Rússia (mais uma vez). Mas, para além de qualquer admiração pessoal que eu tenha pela Rússia, é inegável a importância que o país teve na Segunda Guerra Mundial, importância esta que, muitas vezes, foi (e continua sendo) ignorada pela grande imprensa mundial/ocidental devido à Guerra Fria e aos seus resquícios.
”Embora o significado das batalhas entre Alemanha e URSS tenha sido enormemente relativizado no mundo capitalista pós-guerra, por conta de questões ideológicas próprias da Guerra Fria (quando não era mais conveniente ressaltar qualidades positivas do antigo aliado soviético…), o chamado fronte oriental foi onde aconteceram as mais ferozes batalhas, com as maiores perdas civis e militares da história, e mostrou excepcionais tenacidade e capacidade de reorganização e aprendizado do Exército Vermelho frente à Wehrmacht. Apesar de imensas perdas humanas e materiais, a URSS foi a única nação da guerra a ser invadida territorialmente pela Werhmacht (então o maior, melhor treinado, mais bem equipado, e mais eficiente exército do mundo, cujos vários feitos em eficiência e versatilidade em campo permancem inigualados até hoje) a ser capaz de se reorganizar, e, sem rendição ou acordos colaboracionistas (como o do “Governo de Vichy”, na França), resistir, combater, e efetivamente rechaçar as forças alemãs para fora de seu território sem tropas externas atuando em seu território (como na recuperação da França, por exemplo, precisou da ajuda maciça de tropas americanas e britânicas), e, mais importante, seguir um curso de vitórias até a capital da Alemanha – terminando, na prática, a guerra: poucos dias depois do suicídio de Hitler na Berlim já completamente ocupada pelo Exército Vermelho, as forças alemãs assinaram sua rendição incondicional.” (Texto retirado da Wikipédia)
É inegável o papel da ex-URSS na Segunda Guerra Mundial e, mais ainda, é inegável o papel que a chamada “Grande Guerra Patriótica” teve na formação do caráter nacional soviético/russo. A vitória na Segunda Guerra Mundial está para a URSS/Rússia assim como a queda da Bastilha está para a França, ou o 4 de julho está para os EUA: é um evento único, formador do caráter nacional russo. Também não é para menos: estima-se que a então URSS perdeu 26,6 milhões de pessoas durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto o segundo país que mais perdeu foi a Polônia, com 6 milhões de baixas (a grande maioria civis, judeus). Dos países ocidentais, o que mais mortes teve foi a França, com 600 mil baixas.
A vitória sobre o nazismo é extremamente valorizada ainda hoje na Rússia. Prova disso é o Museu da Grande Guerra Pátria, em Moscou, no qual estão presentes diversos elementos que se relacionam com a guerra. Abaixo coloco algumas fotos do local.
Diversas outras imagens poderiam ser colocadas aqui para simbolizar a gratidão que todo o mundo deveria ter para com a Rússia. Sem medo de errar, afirmo com toda certeza que, se não fosse pela União Soviética e pela sua luta contra a Alemanha durante a Guerra, hoje não estaríamos na situação que estamos. A afirmação de que o “Dia D” foi o verdadeiro responsável pela vitória dos Aliados sobre o Eixo não passa de balela: os americanos, ingleses, franceses e canadenses só desembarcaram nas praias francesas em 6 de julho de 1944 depois que o Exército Vermelho já havia feito todo o “serviço” contra a Alemanha, no sentido de conter a expansão alemã no leste europeu.
Em resumo: se não fosse pela União Soviética, e se não fosse pelas suas imensas perdas, com certeza a Segunda Guerra Mundial teria durado muito mais e, quem sabe, teria tido um outro resultado. Nada mais justo, portanto, do que fazer uma pequena e singela homenagem àqueles que deram sua vida contra o nazismo há 66 anos atrás.
Há 50 anos, homem chegava ao espaço pela primeira vez
Durante 108 minutos, Yuri Gagarin deu uma volta na Terra e retornou.Cápsula Vostok 1 tinha apenas 2,3 m de diâmetro.
Na manhã de 12 de abril de 1961, o soviético Alekseyevich fez um café-da-manhã inédito. Flutuando a 327 km acima da superfície terrestre, o homem de apenas 27 anos comeu e bebeu dentro de uma bola de apenas 2,3 m. Ficou conhecido para a posteridade como Yuri Gagarin e seu desjejum matinal foi apenas um feito dentro de outro maior: o primeiro voo de um humano no espaço.
Foi a segunda refeição do dia para o piloto da força aérea da extinta URSS. Horas antes, na companhia do seu substituto imediato German Titov, o cosmonauta já havia recebido “comida do espaço” para se acostumar à rotina durante a missão.
Gagarin foi o escolhido entre mais de 3,5 mil aspirantes à missão, após intensos testes de resistência física e psicológica. Somente seis homens foram selecionados como possíveis candidatos à primeira aventura do homem no espaço. A decisão sobre quem iria estar a bordo da nave redonda Vostok 1 foi comunicada ao grupo apenas quatro dias antes da missão.
À época, a extinta União Soviética e os Estados Unidos travavam uma batalha silenciosa para saber qual nação levaria o primeiro ser humano à Lua. Os norte-americanos venceram a disputa em 1969, com o “pisão” inaugural de Neil Armstrong no satélite natural da Terra, mas nos oito anos anteriores, os soviéticos sempre estiveram à frente – inclusive no lançamento do primeiro satélite artificial, o Sputnik, em 1957.
Os Estados Unidos só levariam o primeiro homem ao espaço alguns meses mais tarde, durante a viagem de Alan Shepard no voo da Freedom 7, em 5 de maio de 1961. Porém somente em 7 de fevereiro de 1962, durante a missão Friendship, com John Glenn, o país teve seu primeiro astronauta completando uma volta inteira ao redor do planeta. Ambos os feitos fizeram parte do Projeto Mercury, da agência espacial norte-americana (Nasa).
‘Poyekhali’
O voo de Gagarin começou às 09h07 no horário de Moscou, com o lançamento da cápsula Vostok 1 com o foguete R-7. Antes de decolar, o cosmonauta gritou “Poyekhali!” (“Vamos!”, em russo).
A nave partiu das instalações do então secreto Cosmódromo de Baikonur, conhecido à época também como Tyuratam, localizado atualmente nas estepes do Cazaquistão – uma das ex-repúblicas soviéticas.
Onze minutos após a decolagem, o combustível do foguete acabou, a cápsula redonda Vostok foi liberada e a humanidade entrava em órbita pela primeira vez.
Para girar ao redor do planeta, a Vostok precisou alcançar uma velocidade média de 28 mil km/h. Gagarin não chegou a controlar a nave, ainda que os controles para uma operação manual da Vostok 1 estivessem disponíveis ao piloto soviético.
Durante os 108 minutos de duração da missão, Gagarin deu uma volta inteira em torno da Terra. Os relatos do cosmonauta narram a sensação de estar sob o efeito de uma gravidade menor, além de uma preocupação constante sobre os dados do voo – ao solicitá-los à equipe responsável na Terra.
O cosmonauta retornou ao solo terrestre às 10h55 em uma área de plantação em Smelovka, na província de Saratov, a 300 km de onde deveria ter pousado. De volta ao planeta, Gagarin recebeu seu terceiro café-da-manhã naquele dia: leite e pão de Anna Takhtarova, uma avó espantada com a figura de um homem vestido em trajes laranjas e com um capacete, vindo do espaço.
Legado
Gagarin virou um herói soviético após retornar ao planeta que ele reconheceu como “azul”. Foi poupado de outras missões pelo medo de um acidente encerrar a vida de um dos principais ícones soviéticos durante a Guerra Fria.
Ironicamente, o temor se justificou em 28 de maio de 1968, quando em um acidente ainda envolto em mistério, Gagarin morreu durante testes em um avião MiG.
Após a tragédia, uma cratera na Lua e um asteroide foram nomeados em homenagem ao cosmonauta.
Depois de Gagarin, mais de 400 pessoas – de 30 países diferentes – já estiveram no espaço. A maior distância já percorrida por humanos foi pouco maior que 400 mil quilômetros, durante a quase fatal missão Apollo 13, da Nasa.
(Original aqui.)
Os americanos e a reforma política
Às vezes, é impossível não sentir inveja dos americanos. Enquanto ficamos enredados em discussões bizantinas, eles estão lá na frente
Sempre resta o consolo de que a cultura política da maioria dos países é mais atrasada que a nossa. Ou que já estivemos tão piores que temos mais a comemorar que a lamentar.
É verdade, mas isso não deve nos levar à sensação do dever cumprido. Se não tivermos consciência de que podemos fazer mais, corremos o risco de desperdiçar as oportunidades que a história vai nos abrindo.
Agora, por exemplo, o meio político discute algo que a sociedade brasileira aguarda há anos, uma reforma política que oxigene nossa democracia, remova obstáculos e elimine os problemas que todos conhecem.
O Senado criou uma comissão para preparar um anteprojeto, a Câmara instituiu a sua, algumas Assembléias Estaduais promovem discussões para subsidiar o trabalho feito na esfera federal. O Executivo está mobilizado, a presidente da República comprometida. O Judiciário em peso está do seu lado.
A imprensa a discute diariamente, as instituições da sociedade civil só não fazem mais por que ninguém lhes mostrou o quê. A opinião pública a vê como prioridade.
Mas ela não vai bem. A cada dia que passa, se espera menos da Comissão Especial do Senado. Quanto à sua equivalente na Câmara, a incerteza é grande.
Parece que senadores e deputados querem resolver tudo ao mesmo tempo, o que não costuma levar a lugar algum. Sem noção de processo, sem saber o que vem antes e o que depois.
No plano jurídico, nosso sistema político se manteve relativamente estável desde quando seus fundamentos foram assentados depois da Revolução de 1930. Se considerarmos a promulgação do Código Eleitoral de 1934 como seu marco, ele já tem quase 80 anos, o que não é pouco para um país que não completou dois séculos de independência.
Nesse intervalo, foi interrompido por duas ditaduras, mas saiu delas íntegro (na medida do possível). A rigor, o ciclo militar não o extinguiu (como fez o Estado Novo), pois seus intelectuais não se sentiram livres para tanto. Aumentaram os controles, cortaram daqui, cercearam dali, mas ele permaneceu.
É a partir dele que devemos caminhar, como depois da redemocratização, na Constituição de 1988 e na legislação subsequente, com algumas inovações bem-vindas, como a reeleição, e outras equivocadas, como a permissão das coligações nas eleições proporcionais. É o mais recomendável agora, tendo o cuidado de não jogar fora o bebê com a água do banho. Nosso sistema deve ser aprimorado, não negado.
A democracia brasileira precisa modernizar-se, livrar-se do ranço dos excessos regulatórios e burocratizantes. Precisa abrir-se à participação popular, encorajando tudo que aumente a atuação do cidadão na esfera pública: controle social dos eleitos, iniciativa legal, transparência, gestão participativa das políticas governamentais.
Está na hora de acabar com algumas excrescências: os partidos que só existem para fazer negócios, o formato atual da propaganda eleitoral gratuita, a ficção de que só se faz campanha nos três meses que antecedem as eleições.
É aí que entra a inveja dos americanos.
Neste início de abril, Barack Obama começou, às claras, sua campanha para as eleições de novembro de 2012. Está errado? Ou é bom que seja assim, pois os cidadãos têm mais tempo para olhá-lo como candidato e fazer seu julgamento? Para se informar sobre o que pensa fazer em seu segundo governo
Obama pede ideias e sugestões ao eleitor, dizendo o que fez e o que não conseguiu fazer até agora (e porquê). Pede apoio e dinheiro, estimando que vai gastar 1 bilhão de dólares na campanha. Tudo com franqueza, sem fingimentos.
Foi engraçado ver o tom de alguns veículos ao dar a notícia. Os mesmos que acharam um absurdo que Lula lançasse Dilma desde 2009, aplaudiram a “jogada de mestre” do presidente americano.
O subdesenvolvimento político também se manifesta assim.
Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
(Original aqui.)
Contexto histórico: filosofia ocidental associa o conceito de república à democracia
República (do latim res publica = coisa pública) é a forma de governo na qual o chefe de Estado, normalmente designado presidente da República, é eleito pelos cidadãos, na maioria dos casos pelo voto livre e secreto, ou por seus representantes, para exercer o cargo por um período determinado. Dependendo do sistema de governo, se presidencialista ou parlamentarista, pode acumular a função de chefe de Estado com a de chefe do governo (executivo).
Na filosofia política ocidental, o conceito de república está associado ao de democracia, regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas é do próprio povo, que o exerce diretamente, pelo voto, ou indiretamente, por meio de representantes eleitos. Pelo conceito moderno, democracia é “o governo do povo, pelo povo e para o povo”.
A primeira república autônoma - sem estar sob a direção de um regime monárquico – de que se tem notícia foi a romana, fundada no Século V a.C., em contraposição à monarquia. O primeiro conceito de república foi criado pelo filósofo grego Platão, que viveu em Atenas entre os anos de 428 e 347 a.C. Em sua obra “Diálogos”, Platão conceitua o termo como uma ciência política fundamentada na justiça e nas leis, para formar a estrutura de um Estado bem constituído.
Na Idade Média (476 d.C. a 1492 d.C.), houve diversas administrações com regime republicano. As mais famosas foram as italianas e, depois, a holandesa, cada uma com suas características próprias, mas tendo em comum o fato de não serem monarquias.
No século XVII, houve um caso exemplar de governo republicano na Inglaterra, na época de Oliver Cromwell. Mas foi a Revolução Francesa de 1789 que deu grande impulso ao republicanismo moderno, propiciando a proclamação da República da França, em 1792. Esta, entretanto, ainda não viera para ficar, pois foi frustrada, em seguida, pelo Império de Napoleão Bonaparte e pela restauração da monarquia.
Somente entre 1848 e 1851 a França pôde viver um novo, porém ainda passageiro, período republicano. Trata-se da II República que, entretanto, não encontrou sustentação suficiente na sociedade para se manter. Finalmente, em 1871, o regime republicano veio para ficar. A chamada III República francesa firmou-se como sinônimo de progresso social, com a universalização do ensino, a instituição do ensino laico obrigatório e outras reformas.
EUA
Um grande impulso foi dado ao republicanismo pela proclamação da independência dos Estados Unidos, em 1776, e pela consequente criação de um estado democrático. Esse episódio teve grande repercussão no mundo. Na América, praticamente todas as ex-colônias proclamaram a independência e adotaram o sistema de governo republicano democrático.
Após as revoluções burguesas ocorridas na Europa entre os Séculos 17 e 19, as monarquias absolutistas entraram em colapso (como a França) ou se modificaram pela constitucionalização do poder político. É o caso de Inglaterra, que adotou a monarquia parlamentarista, fazendo com que o governo deixasse de ser expressão de um só mandatário.
Essa evolução acabou transformando, também, o conceito de república. Surgiram então, modernamente, dois tipos de repúblicas: a presidencialista e a parlamentarista. Em ambas, o poder político governamental se encontra dividido entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Em cada caso, entretanto, a relação de autonomia e a amplitude de atuação entre tais poderes governamentais é bastante distinta.
A separação dos poderes teve forte influência do francês Charles de Montesquieu, o Barão de Montesquieu (1689 – 1755). Com sua famosa Teoria da Separação dos Poderes, concebida na obra “O Espírito das Leis”, de 1748, ele não só inspirou os redatores da Constituição francesa de 1791, como também se tornou fonte das doutrinas constitucionais liberais, que se apoiam na separação dos poderes legislativo, executivo e judiciário.
Precedentes brasileiros
A proclamação da República não foi a primeira insurreição brasileira contra os colonizadores, mas foi a que vingou e fincou vínculos definitivos, em âmbito nacional. Diversos movimentos libertários a precederam, mas nenhum deles propriamente teve o caráter nacional de que ela se revestiu, como a Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana, a Conspiração dos Suassunas, a Revolução Pernambucana, a Confederação do Equador e a Revolução Farroupilha.
Proclamação
O ato que instaurou o regime republicano no país e pôs fim à monarquia do Império ocorreu em 1889, no Rio de Janeiro, então capital imperial. A iniciativa foi de um grupo de militares do Exército brasileiro liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, que proclamou a instauração do regime republicano no Brasil e depôs, sem uso de violência, o imperador Dom Pedro II e o então presidente do Conselho de Ministros do Império (uma espécie de primeiro-ministro), Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto.
Na mesma data, foi instituído um Governo Provisório republicano, tendo o próprio marechal Deodoro como presidente da República e o marechal Floriano Peixoto, como vice.
A virada histórica se deu 100 anos depois da Revolução Francesa – cujo grito de liberdade, igualdade e fraternidade acabou inspirando a queda de monarquias e a instauração de regimes republicanos e democráticos em boa parte do mundo.
Naquele momento histórico, com a classe média em crescimento, funcionários públicos, profissionais liberais, estudantes, artistas e comerciantes das cidades grandes desejavam maior liberdade e participação nos assuntos políticos do país. Esse grupo, dito “progressista”, era identificado com os ideais republicanos e passou a apoiar o fim do Império.
Nesse contexto de crescente anseio por mudanças, foi divulgado, em 1870, o chamado “Manifesto Republicano”, seguido da Convenção de Itu, em 1873, e do surgimento dos Clubes Republicanos, que passaram a se estender a todos os principais centros do país. Em comum, eles tinham a ideia de que a república deveria ser um regime progressista, contraposto à exaurida monarquia.
Como foi
Sob o título “Viva a República”, o jornal “A Província de São Paulo” (hoje “O Estado de S. Paulo”) noticiou, em sua edição de 16 de novembro de 1889, a queda do Império e a instauração do regime republicano. Fundado nos últimos anos da monarquia, o diário relatou que o fato “não causou entusiasmo; produziu delírio indescritível”.
Conforme relato do jornal, na madrugada da véspera (dia 15), uma rebelião no Exército depusera a monarquia. “Todas as guarnições aderem ao movimento. Os soldados arrancaram as coroas dos bonés, conservando apenas o número dos regimentos a que pertencem”.
Num cenário ainda desencontrado sobre a queda da monarquia, o jornal descreveu assim a queda da monarquia e a instauração do regime democrático: “A versão mais corrente sobre o movimento é a seguinte: o (então) general Deodoro, enfermo ontem, tendo sinapismos (toalhas embebidas em água fria) nos pés, soube, à meia-noite, que a Segunda Brigada tencionava fazer pronunciamento de revolta”.
“Pela madrugada – continuou ainda o jornal -, o general dirigiu-se a São Cristóvão e, voltando ao Campo de Santana, viu aproximar-se o Barão de Ladário (então ministro da Marinha, única vítima da Proclamação da República, baleado por um atirador desconhecido)”. Ordenou, então, a um oficial que o acompanhava que fosse entender-se com o ministro, usando de toda a cortesia. Entretanto, sem responder, o ministro disparou seu revólver contra o oficial. “O general Deodoro gritou que não o matassem, porém não pôde evitar os tiros que feriram o barão”.
“Abertas as portas do quartel, todas as forças reunidas confraternizaram, levantando vivas ao general Deodoro. Foram dadas diversas salvas de 21 tiros, anunciando a vitória do movimento”, conclui o relato.
Na tarde do mesmo dia 15 de novembro, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, foi solenemente proclamada a República. À noite, o abolicionista José do Patrocínio redigiu a proclamação oficial da República dos Estados Unidos do Brasil, aprovada sem votação. O texto só foi publicado pelos jornais no dia seguinte, quando a maior parte do povo tomou ciência da mudança do regime político.
Dom Pedro II
O imperador Dom Pedro II, que se encontrava em Petrópolis, retornou ao Rio pensando que a revolta visasse apenas à substituição do Gabinete de Ouro Preto. Tencionava formar um novo gabinete. Mas foi informado da proclamação da República e não opôs resistência.
No dia seguinte, recebeu uma comunicação oficial, informando-o da proclamação da República e ordenando sua partida para a Europa, a fim de evitar conturbações políticas. A família imperial brasileira exilou-se na Europa, só lhe sendo permitida sua volta ao Brasil na década de 1920.
(Original aqui.)
Deu no Correio Braziliense
O que fazer com os nanicos?
De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Nada melhor que considerar casos concretos para tornar mais claras algumas questões abstratas. Eles nos ajudam a entendê-las, trazendo-as para nossa experiência cotidiana.
Nossa legislação eleitoral é criticada por muitas pessoas e já existe quase um consenso de que é necessário mudá-la em profundidade. Seria ótimo se o presidente (mais provavelmente, a presidente) que estamos agora elegendo decidisse encampar a ideia, assumindo a iniciativa de provocar o Congresso para que não tardasse a discuti-la. É no começo dos governos, quando é máxima a força do Planalto, que essas coisas devem ser feitas.
Os problemas que ela apresenta são conhecidos por todos, mas é sempre surpreendente vê-los, na prática, outra vez. Alguns ficam especialmente visíveis apenas nesta época em que estamos, de reta final.
Um deles é o modo como ela trata os nanicos, nome que nosso vocabulário político adotou para designar os candidatos dos micro-partidos. Sem desmerecer nenhum deles, são, muitas vezes, representantes de partidos que só existem em nichos minúsculos da opinião pública, com base social insignificante.
Há países, como os Estados Unidos, com leis que permitem que partidos assim lancem candidatos a qualquer cargo, incluindo o de presidente da República. Outros, a maioria, são mais rigorosos. Os partidos precisam percorrer um caminho longo, com crescente desempenho, para funcionar normalmente e disputar todos os cargos.
Se o Judiciário não tivesse derrubado a legislação emanada do Congresso relativa à cláusula de barreira, não teríamos, já nestas eleições, muitas das legendas e alguns dos milhares de candidatos que disputam os diversos cargos. Como, no entanto, ficou consagrado o vale-tudo a respeito da representatividade partidária, estamos, de novo, às voltas com os nanicos.
Ficando apenas nas eleições presidenciais, temos os 3 “grandes” — Dilma, Serra e Marina – e mais 4 de partidos de extrema esquerda, dos quais o único com alguma performance apreciável é o PSOL. PSTU, PCO e PCB não têm sustentação relevante na sociedade. Falam para si mesmos e ninguém os ouve. Parece que se consideram “candidatos de atitude”, cumprindo um papel auto-atribuído de “vanguarda ideológica” (seja lá o que imaginam que isso seja).
Dois outros candidatos não se justificam em termos ideológicos. São figuras inexpressivas e algo cômicas, que reaparecem a cada eleição sem nenhuma finalidade, falando insignificâncias.
Faz parte da democracia a liberdade para que qualquer um possa defender suas ideias, mesmo que mais ninguém queira conhecê-las. Até o mais bizarro dos candidatos deve poder existir.
O que não se compreende é que tenhamos adotado uma legislação que permite a todos o acesso à propaganda eleitoral nos meios de comunicação de massa, obrigando o cidadão a vê-los quando se informa a respeito das eleições. Sua presença é antipedagógica e só faz aumentar a distância entre eleitores e sistema político.
Nossa legislação impede que o jornalismo das emissoras de televisão faça o que deveria fazer: dar mais espaço ao que é mais importante, àquilo que interessa. Em uma limitada e questionável interpretação do princípio da isonomia, exige que cada candidato (excluídos apenas os mais irrelevantes) tenha exatamente o mesmo tempo de cobertura.
Com isso, ao invés de aprofundar a cobertura das candidaturas que de fato estão na disputa, elas ficam restritas a um enfadonho acompanhamento do “dia a dia” dos candidatos”. Sem qualquer consequência, diga-se de passagem. Marina e Plínio estavam, em começos de agosto (quando se tornaram presença quase cotidiana nos telejornais de todas as emissoras), do mesmo tamanho que estão hoje: de modesto a nenhum.
Não é difícil dizer o que precisa ser feito. Na propaganda gratuita, simplesmente restringir o acesso aos candidatos de partidos representativos, dentro de critérios razoáveis. No jornalismo, adotar o que, perante situação semelhante, se tornou regra em alguns países. Voltando a falar nos Estados Unidos, lá os veículos podem invocar o princípio do “interesse jornalístico legítimo” para orientar sua cobertura das eleições. Os insatisfeitos podem recorrer à Justiça, mas, raramente, o fazem.
(Original aqui.)
Calendário histórico
1940: Assassinato de Trotski no México
No dia 20 de agosto de 1940, o chefe de Estado soviético, Josef Stálin, se livrou de um inimigo incômodo quando um agente stalinista matou Leon Trotski, que vivia exilado no México.
“Piero” (a pena) era seu nome no exílio, Janowski foi sua autodenominação na fundação do primeiro Conselho Soviético, em 1905, mas era chamado também de “Jovem Águia”. Trata-se de Leon Trotski (1879–1940), como ficou conhecido o revolucionário e teórico russo Lev Davidovitch Bronstein.
Nascido na Ucrânia, de uma família de agricultores judeus, foi um dos melhores alunos de Matemática, Literatura, Alemão e Francês em Odessa. Ainda como estudante, iniciou por acaso sua atividade contra o czarismo.
No verão europeu de 1896, cerca de 30 mil trabalhadores se rebelaram em São Petersburgo. A revolta não fora motivada pela frente de luta pela libertação da classe operária, recém-criada por Lênin e, sim, consequência da fome e da catastrófica situação social. Impressionado com as notícias sobre a greve e munido do idealismo de um jovem de 17 anos, Lev Bronstein fundou a Liga dos Trabalhadores do Sul da Rússia.
Estudantes e alunos escreviam panfletos, conclamações e pequenos textos de formação política para os trabalhadores. O serviço secreto do czar levou dois anos até descobrir as atividades subversivas da liga e prender o propagandista Bronstein em janeiro de 1898.
Difícil relação com Lênin
Deportado para a Sibéria, ele leu, pela primeira vez, no verão de 1902, um escrito de Lênin intitulado O que fazer?. Bronstein sabia o que tinha de fazer: fugir para o exílio. Escondido sob a palha numa carreta de agricultor, chegou a Irkutsk, onde amigos lhe arranjaram um passaporte falso, mudando seu nome para Leon Trotski – nome de um antigo carcereiro.
Seguiu-se o primeiro encontro com Lênin em outubro de 1902, sem que daí resultasse uma amizade entre os dois. Nos anos seguintes, eles oscilavam entre relações de conveniência e inimizades. Trotski era o mais inteligente e visionário dos dois revolucionários. Presidiu o primeiro soviete de Petrogrado até a derrota da primeira revolução contra a monarquia russa em dezembro de 1905.
Novamente deportado, fugiu da Sibéria em 1907 e passou os anos seguintes no exílio, tendo se refugiado também nos Estados Unidos. Voltou à Rússia em 1917, quando participou ativamente da organização da Revolução de Outubro.
Na noite em que completou 38 anos (7 de novembro), tropas de choque ocuparam estações de trem, pontes, o banco estatal e as principais repartições públicas de Petrogrado. Por volta do meio-dia, Trotski proclamou a destituição do governo, em nome do Comitê Revolucionário Militar.
Inimizade com Stálin
Foi uma revolução sem derramamento de sangue. O terror e a crueldade viriam mais tarde. Trotski tornou-se comissário das Relações Exteriores e assinou a paz com a Alemanha em Brest-Litovsk. Com a nomeação de ex-oficiais czaristas para o Exército Vermelho, provocou a fúria do comissário político superior da décima Armada, Josef Stálin, que passou a lutar sistematicamente contra ele, por meio de intrigas e rumores.
Trotski, por sua vez, culpou Stálin pela derrota da Rússia na guerra contra a Polônia em 1920. A partir de 1923, com o adoecimento de Lênin, organizou a oposição a Stálin. Após a morte de Lênin, em 1924, Stálin concentrou o poder em suas mãos e se vingou de Trotski, expulsando-o do Partido Comunista em 1927 e deportando-o para a Turquia em 1929.
No exílio, Trotski passou por vários países. Na França, foi informado do “suicídio” de sua segunda filha. Seus dois genros foram deportados para a Sibéria e seus quatro netos desapareceram.
Em 1937, chegou ao México, onde foi assassinado dia 20 de agosto de 1940 pelo agente stalinista Ramón del Rio Mercader, que havia conquistado a confiança da família com o pseudônimo Frank Jacson.
No Brasil, a fama de Trotski sofre devido ao sectarismo e dogmatismo de alguns grupos que reivindicam o trotskismo. O pensamento do teórico russo é polêmico e abrange as duas revoluções russas, o colapso da 2ª Internacional, a fundação da 3ª Internacional, as ascensões de Stálin na URSS e de Hitler na Alemanha, bem como a Revolução Espanhola.
(Original aqui.)
“Segurança” x liberdade de informação
Vazamento de dados secretos abre debate sobre política dos EUA para o Afeganistão
Publicação de documentos secretos no Wikileaks abalou confiança de norte-americanos na política dos EUA para o Afeganistão. Aprovação ao governo Obama tem caído e surge um novo debate sobre uma possível mudança de rumo.
A divulgação de documentos secretos do Pentágono pelo Wikileaks abalou a confiança dos norte-americanos na política de Washington em relação ao Afeganistão. Há apenas algumas semanas, a elite política do país apoiava, em grande parte, o presidente e sua estratégia de expansão limitada da guerra, a ser acompanhada por um reforço da reconstrução civil.
O objetivo da Casa Branca é acuar os talibãs tanto de forma militar como política, e negociar uma solução política para o conflito com os chamados islamitas moderados. Mas, após o caso Wikileaks, a aprovação a esta estratégia vem caindo. Esta semana foi possível perceber como o apoio à política de Obama vem se esfacelando em Washington.
O senador John Kerry, candidato presidencial democrata em 2004 e que era tido como um importante aliado de Obama, anunciou a realização de uma audiência sobre as perspectivas de negociações entre Cabul e os talibãs. Quando perguntado sobre o caso Wikileaks, Kerry disse que os documentos levantam sérias questões sobre as perspectivas da política americana atual para o Paquistão e o Afeganistão. Segundo ele, agora deve ser analisado se é necessário mudar o curso.
Gastando bilhões na guerra, sem obter resultados
As dúvidas também estão crescendo no lado republicano, que vinha apoiando a maior parte das decisões de Obama. O influente senador e especialista em política externa Richard Lugar se queixou há poucos dias de que Washington continuaria a “gastar bilhões sem conseguir alcançar um resultado satisfatório”.
As últimas sondagens de opinião nos Estados Unidos mostram que tem diminuído continuamente o apoio à guerra no Afeganistão, que devora 100 bilhões de dólares por ano e faz cada vez mais vítimas civis e militares. Uma clara maioria acredita que a guerra já esteja perdida. E o presidente Barack Obama precisa tomar uma posição clara em breve, já que em novembro serão realizadas eleições nos EUA.
General alemão criticou publicação de documentos
O general alemão Josef Blotz, porta-voz da Força Internacional de Assistência para a Segurança (Isaf, do inglês) criticou o vazamento dos 92 mil documentos, em sua maioria secretos, sobre o conflito no Afeganistão.
“Aproveito para criticar a divulgação desses documentos”, afirmou o general Josef Blotz durante uma entrevista coletiva transmitida em vídeo a partir do Afeganistão até o centro de comando de operações das Forças Armadas alemãs, localizado perto da cidade alemã de Potsdam. “Foi extremamente irresponsável e, basicamente, um crime.”
O porta-voz das tropas internacionais no Afeganistão não contradisse diretamente declarações militares anteriores, as quais sugeriam que os documentos teriam pouco impacto sobre as operações em curso, pelo fato de serem de sete meses atrás. Mas Blotz disse que as informações podem representar perigo para soldados e civis.
Vazamento pode ameaçar vidas de afegãos
“O material secreto agora disponível ao público em geral pode, realmente, comprometer a vida das nossas tropas da Isaf”, alertou Blotz. “Além disso, ele pode pôr em perigo as vidas de muitos afegãos que, de uma forma ou de outra, têm colaborado com as forças da Isaf ou com as forças de segurança afegãs e cujos nomes são mencionados explicitamente nos documentos.”
No entanto, o general também insistiu que o valor das informações contidas nos arquivos seria muito limitado, afirmando que a informação divulgada “apenas surpreenderia as pessoas que não leram jornal nos últimos três anos”.
(Original aqui.)
Comentário final: critica-se a divulgação dos dados porque eles expõem segredos militares ou porque eles expõem o quanto se gastou em uma “guerra” que não tem fim?






