Novo momento político – o pós-eleições

Novo momento político – o pós-eleições

Por Marcio Petrocelli Paixão

É engraçado ver agora gente magoadinha com o que dissemos sobre política nos últimos meses. Eu não estou nem um pouco ofendido com nenhuma das barbaridades ditas aqui sobre mim. Para quem está habituado a tomar posições e falar sem medo, sabe muito bem que expõe vários dos seus flancos e entra no risco até de ofensas pesadas. Há anos aprendi a me adestrar a esse respeito.

Também não me desculparei por nada do que disse; diria tudo novamente. E agora, momento maior que todos para falar, temos que cobrar atitudes decentes dos eleitos. Isso gerará outras tantas discussões. Portanto, que ninguém espere por desculpas minhas. Não que não as peça, mas creio não ser oportuno nem necessário no presente caso. Ânimos sobressaltados são muito naturais em debates, além de milenares. E um ponto, ao contrário dos “vitimizados” e dos chorões de plantão, me deixa otimista: estamos aprendendo a discutir e a participar do jogo político. Dói um pouco, mas passa. Fúria, no meu caso (o único de que posso falar seguramente), dá e passa.

Dilma ou Aécio, eu permaneceria no ataque ou nos encômios a más ou boas ações. Meus primeiros parabéns à Câmara dos deputados, que ontem derrotou o o Decreto 8243, sobre os “conselhos populares”, que agora irá ao Senado com todas as expectativas de um quase sepultamento ou “tiro de misericórdia”. Como disse Roberto Freire nos últimos dias, algumas medidas pedem mais que um “sim” ou um “não” da sociedade civil. A provável derrota dessa lei no Senado é um grande começo para a preservação da nossa estrutura institucional (o Estado de Direito e o regime democrático representativo, o único possível na atual conjuntura). A participação popular deve vir de nós, nao deve ser definida pelas instâncias do poder representativo.

Que esse impulso visto nas eleições seja mantido agora (sobretudo agora) pelo nosso povo. Nós “governamos” também, se nos organizarmos, mas sem a tutela do Estado. E temos um aliado: a oposição ao governo, com a derrota do PT enquanto partido da base aliada, joga o PMDB (quem diria!!!) numa saudável e forte oposição, assim como o PSDB. Que Aécio Neves não caia nesse falso “mantra” da “união nacional” (não falo da união do nosso território, que deve ser mantida). Caso queira manter a sua liderança, legitimada por (arredondando) 51 milhões de votos, Aécio precisa fazer oposição. Nossas instituições estão em perigo. Saiamos da nossa passividade e coloquemos a nossa cidadania em ação. É tudo nosso: tomemos posse. Oposição não é ruim. Desde Políbio a Montesquieu, dois dos maiores mentores da ideia de politéia ou República, a única unidade possível a um Estado é o equilíbrio de forças, para ao qual uma oposição é imprescindível. Além disso, não cobremos apenas dos chefes de executivo, mas dos parlamentares que ajudamos a eleger. Na acepção romana, somos espécies de “Tribunos”, a terceira força republicana, e que não precisa de tutela. Basta nos organizarmos, a sós ou em grupos.

Abraços a todos.

5 comentários sobre “Novo momento político – o pós-eleições

  1. Os parlamentares que ‘ajudamos a eleger’ são muito poucos, e a ,maioria de ‘coligados’ vai continuar ditando regra no Congresso. Como acontece há vinte anos ali, com mudanças apenas nominais. Mas com certeza o caminho para qualquer mudança positiva começa em não esperar que um Poder Maior qualquer dê o primeiro passo em nosso lugar. Poderes estabelecidos costumam andar apenas na direção que lhes convém, e que geralmente não vão ao ‘Bem Comum’.

  2. Concordo professor Mateus, com tudo que o senhor mencionou acima. A oposição tem que cobrar e cobrar mesmo, desde que dê a liberdade para o governo também se expressar e fazer. Acho que todos tem o direito de escolher o seu candidato, mas o que me parece que num país que se diz democrático, está muito a desejar. Nós nordestinos estamos sendo taxado como, burros, idiotas, preguiçosos, bando de merdas, só porque a candidata tirou o maior numero de votos! o que é isso…!? Que país é esse! Tenho medo dos nossos nordestinos que moram São Paulo e outras regiões e ninguém faz nada, ninguém diz nada, até concorda, silenciosamente. Acho que o que temos fazer é nos unir, e confiar. Quem acredita em Deus, vai pela fé, quem é ateu, ajudar de outras formas. O que não podemos é juntar forças negativas, isso não é bom. Somos de um mesmo país ou não somos? Trabalho com crianças, adolescentes e jovens e minha pergunta: que testemunhos, estamos passando para os futuros jovens? As vezes, professor, sou questionada e não tenho respostas para a juventude. Só posso dizer: meus filhos, aproveite o tempo e não deixe as oportunidades passarem, por isso: estude, estude e tenha fé em Deus, pois ainda Deus está no comando e para quem acredita, não perderá tempo, digo por experiência, porque Deus existe e eu o sinto. Pena que o homem, quando vai se descobrindo que é capaz, logo coloca Deus no escanteio e continua dominando. Veja: http://www.msn.com/pt-br/noticias/eleicoes/ap%C3%B3s-reelei%C3%A7%C3%A3o-de-dilma-eleitores-do-nordeste-s%C3%A3o-atacados-nas-redes-sociais/ar-BBbnFoi. Mas admiro sua coragem e tenho lido seus artigo e tem me ajudado muito, mesmo tendo a minha opinião, mas seus questionamentos nos dar uma bela sacudida, como diz na minha terra. Por hoje só.

  3. Sempre “ajudamos” a escolher um parlamentar quando escolhemos uma legenda. Portanto, dentro do contexto do voto proporcional, nenhum candidato a deputado federal assume o cargo sem algum auxílio do nosso voto. Por isso, precisamos avaliar não apenas candidatos, mas também partidos. Numa eleição proporcional, a questão é sabermos escolher um híbrido de bom candidato e “bom” (ou menos pior) partido. Mas nenhum parlamentar assume uma cadeira sem o nosso voto. Podemos e devemos cobrar ações de qualquer um deles, mesmo porque o mandato político representativo estabelece para o deputado uma representação universal da sociedade. É evidente que podemos nos mobilizar para pressioná-los. E, não nos esqueçamos, senadores também são parlamentares, e esses nós elegemos diretamente e por maioria simples. (Márcio Petrocelli Paixão)

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